É um período muito complicado para o Xbox. Em meio ao caos das demissões e reestruturação, a empresa tenta ter um respiro ao revisitar o passado de uma das franquias que moldou a marca. Halo: Campaign Evolved segue o ritmo da indústria de recriar tudo o que fez sucesso em um tempo longínquo, na tentativa de modernizar séries para um novo público, mesmo sem se desprender do passado.
Mesmo com gráficos modernizados e mudanças sutis nas mecânicas do passado, o game não escapa de um ritmo tedioso que funcionava no passado, mas hoje é pouco cativante.RelacionadoHalo: Campaign Evolved | Novas missões | Xbox Games Showcase
Fazer um remake de um dos melhores e mais influentes FPS de toda a história é uma tarefa difícil, que, somada ao momento da franquia Halo, ao passado do Halo Studios (antiga 343 Industries) e às demissões do Xbox e desconfiança do público com a marca, torna essa tarefa ainda mais difícil.
Entre acertos e tropeços

Halo: Campaign Evolved poderia ser o começo de uma caminhada para a glória, ser um remake salvador como Resident Evil 2 Remake foi, mas, infelizmente, ele é mais um jogo, um bom jogo, no entanto, não é exatamente o que a franquia ou o Xbox precisam.
Tecnicamente, o game toca em pontos importantes para dar nova vida ao clássico do Xbox. Os gráficos são bonitos, porém sofrem com os problemas crônicos da Unreal Engine 5 e entregam uma iluminação estranha em áreas abertas e que buga de vez em quando. Isso quando você não corre pelo cenário e vê uma árvore não tão distante magicamente ganhar mais folhas, ou uma pedra ficar menos lisa do nada.
Apesar de ser um jogo bonito, quando você remove o HUD e a arma do personagem da tela e encara uma paisagem natural, ele vai se parecer com dezenas de títulos também feitos na Unreal Engine 5, porque, em certos momentos, parece que a alma artística de Halo foi sacrificada para dar vida a visuais mais realistas.

Alguns problemas gráficos e de direção do game também aparecem durante as novas cutscenes. Os momentos de conversa de Halo: Combat Evolved foram removidos para dar lugar a cenas cinematográficas, que são bonitas. Os personagens possuem ótimas feições, mas erram na direção e em como isso se integra à gameplay. Eu estranhei muito quando eu abria uma porta e dava em uma sala vazia, e então começava uma cutscene e, nessa sala, tinha inimigos e outros personagens.
Essa tentativa de transformar Halo em algo cinematográfico cheio de cutscenes me pareceu muito falha, porque o jogo não é isso. Remakes podem e, em alguns casos, precisam mudar o que conhecemos sobre a obra original, mas Halo: Combat Evolved não nasceu para ser uma jornada cinematográfica repleta de cutscenes. A cinematografia de Halo reside em seus set pieces de ação, que continuam ótimos. Chegar à praia na missão 4: The Silent Cartographer, trocar tiros com o Covenant e depois pilotar o Warthog para prosseguir na campanha é um dos momentos que melhor capturam a essência da franquia, e ele não precisou de uma cutscene inédita que nem foi tão bem feita assim.
A jogabilidade continua quase a mesma, e isso não é um defeito

Ainda assim, fora problemas de Unreal Engine 5 e uma cinematografia estranha, Halo: Campaign Evolved ainda mantém tudo aquilo que fez o jogo original ser uma obra-prima do FPS. A campanha se mantém a mesma, mas agora com uma maior variação do arsenal de armas que adicionam uma fina camada extra de diversão.
Uma coisa que me fez levantar as sobrancelhas foi que, na campanha de marketing, o título prometia um aprimoramento nos veículos — o que se provou mentira. Dirigir um Warthog sempre foi uma experiência caótica, mas que você se entendia nos comandos dos dois analógicos. Agora, o jogo aposta no comando básico de veículo dos games: acelerar com o R2 e pilotar no analógico esquerdo. Em tese, era para melhorar, mas tudo parece uma patinação bagunçada que durou muito pouco para mim, que logo voltei para os comandos clássicos de direção da série.

Contudo, tirando esses pontos, a jogabilidade continua muito boa, mas poderia ir um pouco além para ter um pouco mais de dinamismo. A obra ainda é um FPS um pouco duro, embora a movimentação tenha sido suavizada, porém uma ação de slide já adicionaria uma camada extra de freneticidade que os tiroteios mereciam.
Outra grande novidade são as missões inéditas que se passam um ano antes dos eventos de Halo: Combat Evolved. Nelas, Master Chief e o Sargento Johnson precisam se infiltrar numa nave Covenant para roubar dados e, como num filme pastelão de ação, as coisas dão errado. Você se depara com um outro plano dos vilões, precisa tentar frustrar esse plano e concluir o objetivo principal.

São missões divertidas que adicionam os Jiralhanae ao catálogo de inimigos de “Halo 1”. Elas possuem o mesmo ritmo das sessões da campanha, com exceção da missão final, que é uma batalha de naves no espaço e merece destaque. Falando de guerras no espaço, as batalhas e a introdução dessa nova sessão do jogo possuem algumas divertidas referências a Star Wars.
Também é preciso falar do novo modo em terceira pessoa, que fica escondido por meio de um power-up das caveiras do game. É uma adição interessante, mas que foi pouco utilizada.
O futuro da franquia Halo
No fim, Halo: Campaign Evolved é um bom game que os fãs da série estavam precisando. É uma aposta segura após o rendimento não tão satisfatório de Infinite e o caos da 343 Industries; não impressiona, mas também não decepciona.
Contudo, se o Xbox deseja revisitar as glórias do passado e manter a série viva, é necessário mais. Talvez a chegada para PlayStation 5 (plataforma em que joguei o game, inclusive) possa cativar uma parcela de um novo público, principalmente os fãs de Killzone, que não veem um FPS single-player nesse estilo há anos.
No entanto, ainda é necessária mais renovação. Franquias como God of War, The Legend of Zelda, Super Mario, Resident Evil e outras sempre se mantiveram no mais alto patamar porque se reinventaram para além de remakes, e Halo precisa disso. Halo: Campaign Evolved mostra que a série funciona na Unreal Engine 5, mas precisa de um capricho melhor no futuro com os jogos inéditos que virão nesse mesmo motor gráfico.
O Veredicto
Com fidelidade ao que o jogo original foi, Halo: Campaign Evolved renova a série para os tempos modernos de forma neutra: sem decepcionar, nem impressionar. Algumas adições não fazem tão bem à experiência como cenas cinematográficas mal dirigidas e uma nova dirigibilidade pior nos veículos. Outras, no entanto, são um grato refresco que adicionam uma fina, mas notável camada extra de diversão, como as missões inéditas e as novas armas da campanha. No fim, Halo: Campaign Evolved não é o salvador da franquia ou do Xbox, mas talvez ele nem precise ser isso; ser o abraço nostálgico que o fã da série carece deve ser o suficiente em um momento tão conturbado do Xbox.
